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Você pode confiar nas dietas das redes sociais? O problema de seguir um cardápio que não foi feito para você.

Foto do escritor: Andressa Honorato
Andressa Honorato
25 de ago.
4 min de leitura

Todos os dias, milhares de pessoas encontram nas redes sociais uma nova dieta para emagrecer.

Cortar carboidratos. Fazer jejum. Tomar determinado produto. Comer apenas alguns alimentos. Seguir exatamente o cardápio de uma influenciadora.

Com tantas informações disponíveis, pode parecer fácil encontrar a estratégia ideal para perder peso. Mas existe uma pergunta que muitas vezes fica de lado:

Essa dieta foi feita para você?


Foi justamente essa questão que motivou uma pesquisa realizada por mim durante minha iniciação científica, na qual analisei dietas divulgadas por influenciadoras digitais e comparei sua composição nutricional com recomendações estabelecidas pelas Dietary Reference Intakes (DRIs).


O problema não é a internet. É a informação sem contexto.

As redes sociais podem ser uma excelente ferramenta para disseminar conhecimento e incentivar hábitos mais saudáveis. Porém, também facilitam a propagação de informações nutricionais sem embasamento científico.

No período após a pandemia, aumentou a busca da população por alimentação saudável, emagrecimento e atividade física. Com isso, cresceram também os perfis que passaram a compartilhar dietas, treinos e estratégias para alcançar determinados padrões estéticos.

O problema aparece quando uma recomendação geral é apresentada como se pudesse ser aplicada da mesma maneira a todas as pessoas.

E alimentação não funciona assim.

Peso, altura, idade, sexo, composição corporal, nível de atividade física, rotina, preferências alimentares, condições de saúde e necessidades nutricionais são apenas alguns dos fatores que precisam ser considerados na elaboração de um planejamento alimentar.


“Mas essa dieta funcionou para ela. Por que não funcionaria para mim?”

Essa é uma das principais armadilhas das redes sociais.

Uma pessoa pode publicar que perdeu determinado número de quilos seguindo uma dieta específica. Isso, porém, não significa que aquela mesma estratégia seja adequada para outra pessoa.

Durante a pesquisa, foram analisados três perfis de influenciadoras digitais que divulgavam estratégias de emagrecimento e disponibilizavam cardápios aos seguidores. Os planejamentos apresentavam propostas diferentes, incluindo dietas low carb, cetogênica e outras voltadas ao emagrecimento.

Ao analisar os cardápios, encontramos diferenças importantes em relação às recomendações nutricionais.

Em alguns deles, por exemplo, havia uma redução muito acentuada da quantidade de carboidratos. Em outro, determinadas refeições eram simplesmente retiradas da rotina alimentar como estratégia para reduzir a ingestão calórica.

Quando os cardápios completos foram analisados, nenhum dos três se enquadrou adequadamente nas recomendações utilizadas como referência no estudo.


O problema de transformar carboidrato em vilão

Um dos padrões observados na pesquisa foi a restrição excessiva de carboidratos.

É importante entender que carboidratos não são automaticamente “vilões” da alimentação.

Eles fazem parte de uma alimentação equilibrada e estão presentes em alimentos que também podem fornecer fibras, vitaminas, minerais e outros componentes importantes para a saúde.

O problema não está simplesmente em consumir carboidratos, mas em avaliar a qualidade, a quantidade e o contexto em que eles aparecem na alimentação.

Uma alimentação equilibrada não precisa ser construída a partir da exclusão indiscriminada de grupos alimentares.


E pular refeições para emagrecer?

Outro ponto observado nos conteúdos analisados foi a utilização da restrição alimentar e do jejum como estratégias para acelerar o emagrecimento.

Em um dos cardápios analisados, por exemplo, havia orientação para pular o lanche da tarde e o jantar, utilizando apenas uma bebida sem calorias como opção para a refeição noturna.

Mas simplesmente comer menos não significa necessariamente construir uma alimentação adequada.

Uma estratégia alimentar precisa considerar não apenas calorias, mas também a qualidade nutricional da dieta, a distribuição dos nutrientes e as características individuais de quem está seguindo aquele planejamento.


O que uma dieta realmente precisa considerar?

Um planejamento alimentar individualizado não deveria começar com a pergunta:

“Qual dieta está na moda?”

Deveria começar com:

“O que essa pessoa precisa?”

É necessário considerar as necessidades nutricionais individuais, rotina, hábitos alimentares, preferências, condições de saúde, contexto socioeconômico e outros fatores que influenciam a alimentação.

Por isso, o mesmo cardápio não deve ser simplesmente reproduzido por pessoas diferentes.


Como consumir conteúdo de nutrição nas redes sociais com mais segurança?

Você não precisa abandonar as redes sociais para cuidar melhor da sua alimentação.

Mas vale desenvolver um olhar mais crítico.

Antes de seguir uma dieta encontrada na internet, pergunte:

  • Quem está divulgando essa informação?

  • Essa pessoa possui formação adequada para orientar sobre alimentação?

  • Existe evidência científica por trás da recomendação?

  • A estratégia considera diferenças individuais?

  • Existe uma promessa de resultado rápido ou milagroso?

  • O conteúdo incentiva a exclusão desnecessária de grupos alimentares?

  • O cardápio realmente atende às necessidades nutricionais?

Desconfie especialmente de conteúdos que apresentam uma única estratégia como solução universal para emagrecimento.


Nutrição não é receita pronta

A principal conclusão da pesquisa foi justamente essa: os cardápios analisados apresentavam inadequações nutricionais e não consideravam características individuais importantes, como idade, sexo, composição corporal e nível de atividade física.

Por isso, uma alimentação adequada não deve ser baseada simplesmente no que funcionou para outra pessoa na internet.

Seu corpo, sua rotina e seus objetivos são diferentes. Seu planejamento alimentar também deveria ser.

Como nutricionista, meu objetivo é ajudar você a construir uma alimentação que faça sentido para a sua realidade — com estratégia, individualização e informação baseada em evidências.

Se você está cansado(a) de começar uma dieta atrás da outra e procura uma abordagem que considere a sua rotina e os seus objetivos, agende sua consulta nutricional.


Referências

As principais referências utilizadas neste artigo são provenientes da pesquisa científica original, incluindo as Dietary Reference Intakes, o Guia Alimentar para a População Brasileira e estudos sobre comportamento alimentar e influência das redes sociais.

 
 
 

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